As primeiras lembranças que tenho na memória são do tempo em que minha família morava numa casa no Cruzeiro Velho, no sovaco do avião que forma o Plano Piloto. Deveria ter uns três anos de idade e uma bicicletinha azul. Nessa época, nossa casa era a única da rua sem portão. Coincidência ou não, foi roubada e muitos dos nossos bens desapareceram. Entre eles, o som.
Assim que pôde, meu pai comprou um aparelho novo. O Compact Disc estava entrando no mercado. As trilhas sonoras das novelas da Globo passaram a ser lançadas em LP, K7 e CD. O som era fantástico. Reunia as três tecnologias e o compartimento para o CD ficava na mesma posição das fitas, em pé.
Sei que por um bom tempo nosso arsenal de CDs era muito pequeno. As poucas alternativas fizeram com que tenha um carinho especial por esses títulos mais antigos. Têm cheirinho de infância. Os reconheço rapidamente na nossa atual coleção. Lembro que tinha uma coletânea do Zé Ramalho, Imagine do John Lennon, Gonzaguinha, Milton Nascimento, Belchior, Caetano...é meus pais têm bom gosto.
Tenho muitos defeitos, não nego. Mas minha coleção de discos (leia-se CDs) é de altíssimo nível e internacionalmente reconhecida. Meus pais me deram um bom ponto de partida e a adolescência da minha irmã me fez conhecer coisas como Beatles muito novo.
A gente (e muita gente) morava na 405 Norte e nosso quarto era separado por uma divisória. Ela tinha uns 13 anos e eu oito. Por um bom tempo, minha irmã tinha uma fita solitária de dois lados de 30 minutos repleta de John, Paul, George e Ringo. A intensidade das audições não necessariamente consentidas fez com que, na minha cabeça, dividisse o repertório de Beatles em: aquelas músicas das fitas do tempo da divisória e as demais.
Outra vertente importante da minha formação musical tem, provavelmente, a influência dos meus tios mais novos. Eram fãs de Raul. Por conta disso, escuto Maluco Beleza, Mosca na Sopa, Tente outra vez e daí por diante desde que me entendo por gente na casa da minha avó, em Taguatinga.
Bem, esse post era para ser sobre o prazer de mudar de avaliação inicial sobre determinado disco. Isso acontece com freqüência comigo e com tudo na minha vida. Me apaixono aos poucos. Todo o texto acima era para ser apenas um parágrafo de abre para introduzir esse assunto. “Não tive tempo de ser breve.” Ao menos consegui voltar a postar e já tenho o mote para uma próxima oportunidade.
terça-feira, 24 de julho de 2007
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1 comentários:
Mas, de qualquer forma, foi um post mais curto que os outros. E tão bom quanto! :)
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